quinta-feira, 31 de outubro de 2019


Leonildo a Hiena.

Leonildo é um Leão de nascimento.
Ele não nasceu em um zoológico fique sabendo.
Seu nascimento foi na grande Savana Africana.
Em um campo muito longe dos olhares de curiosos e das pessoas comum.
Já nos primeiros dias de vida podia-se notar que Leonildo era um leão muito diferente dos outros.
Notava-se uma inquietude misturada a uma corpulência.
O que lhe formava uma aparência engraçada para um Leão.
Muito guloso esse jovem leão sem jubas não se contentava em mamar só na mamãe Leoa.
Entrão este desajeitado visitava as outras Leoas para acalmar as suas lombrigas.
Zugaba o Rei desta alcateia vigiava os jovens á distância.
E sacou logo o jeito atrevido deste glutão.
Com o decorrer do tempo Leonildo foi crescendo e sua fome também.
Zugaba foi notando que algo não estava andando bem nas caçadas.
Era o Leonildo que atrapalhava as Leoas.
Leonildo, na caçada frequentemente quando não espantava a caça estava no lugar errado ou ainda sumia com restos da refeição o que enfurecia os outros leões.
Zugaba já havia tido muitas conversas anteriores com Leonildo, mas desta vez jurou em seus pensamentos que essa seria a última:

_Leonildo ouça: nós somos Leões.
_Já lhe falei qual é o nosso papel.
_Devemos comer e multiplicar.
_Fora isso somos nós que resolvemos à parada.
_Colocamos outros Leões para correr, ou seja, desempatar.
_E como se já não basta-se por sua causa ontem não jantei.
_E veja só a novidade o sol está alto hoje não tem almoço.
_Você não fala nada?
_Não responde?

E em um ato final Zugaba gritou:

_Suma daqui você não pertence mais a essa alcateia!

É como sempre, nessa conversa e nas anteriores com o Rei Zugaba, Leonildo não falou nada, baixou a cabeça, não se despediu de ninguém e foi embora.

Um solitário devorador, comilão e lambão estava solto na Savana.
Sonhou acordado agora era só ele não precisaria prestar conta para ninguém e muito menos caçar com aquele bando de incompetentes.

Leonildo lembrou quase que imediatamente dos Abutres que ficavam com os restos de todos os animais da savana e logo imaginou é esses papa defuntos sabem viver, vou comer pelo avesso.
Porém notou que não era tão fácil identificar uma presa abatida.
Mesmo com seu olhar e faro aguçado, percebeu logo que não dividiriam nada com ele, esses animais carniceiros viviam a espera do azar alheio teve medo do azar ser dele.

Quando conseguia chegar em uma carcaça a Vilania dos Abutres o impedia de se alimentar pois levavam ate os ossos ou os ingeriam.
E quando conseguiu mal pode roer um pobre pedaço de costela.

Pensou novamente só que em voz alta:
_É essa vida de rapa-tacho não vai dar para mim não.

Só três dias que havia deixado o bando.
A fome já era implacável e seus pensamentos não se equilibravam.
Lembrou-se de um grande devorador: os Crocodilos.
Quem sabe com um jeitinho eu consigo uma beirada.
Eles comem tudo pela frente: gazela, guinus. Ah e Búfalos!
E búfalo é gostoso e estava com uma fome que poderia comer búfalo sozinho.

Ao se aproximar do Rio tentou trocar umas ideias com um crocodilo solitário que vez ou outra se aproximava da margem como quem estava curioso.
E nesta aventura a procura de comida quase virou a refeição e ainda de quebra ganhou uns belos arranhões que nunca sumiram.
É pensou: com crocodilianos nunca mais.
Leonildo estava descobrindo como funcionava a Savana.

Já estava vagando a algum tempo e pouco havia se alimentado.
Já estava a pêlo mais pêlo que osso.
Mas esse esganado filhote de um limpa pranto deitou em uma sobra e pensou:
É já tentei quase todo mundo aqui na Savana.

Foi quando começou a rir e a falar sozinho:
_Vou me aproximar das Hienas.

Começou a perceber muitas vantagens nisso.
Não era chegado a um banho.
Não era chegado nem aos banhos de língua felinos.

E foi fácil se aproximar das Hienas.
As hienas rodam perto de leões a espreita do resto de caças e também caçam.

Ficou a distância como quem não queria nada.
Não falando nada só na encolha.

Logo se acostumou com o cheiro nauseabundo e catinguento das hienas.
E como elas passavam o dia inteiro rindo e zombando uma das outras.
Muito esperto aprendeu a língua delas com o tempo.
Como já conversava e ria como as Hienas.
Alias até fedia como uma Hiena.
Passou a fazer parte deste grupo mal cheiroso.

As Hienas eram oportunistas porém andavam em bandos.
Elas se aproveitavam dos animais doentes ou espantavam os leões e leopardos com seu cheiro insuportável e suas piadas nojentas, desta forma pegavam as presas abatidas.

Leonildo se adaptou a essa nova condição com facilidade.
Ficando novamente gordo e inchado.
E sabe quando esse glutão teve fome de novo?
Nunca mais.

É a triste moral desta História e que:

Você até pode nascer como um Leão.
Mas se não dominar os seus instintos pode virar uma Hiena.

E esse regalão o Leonildo era capaz de viver como uma Hiena.
De feder como uma Hiena.
Falar piadas nojentas com uma Hiena
E o pior ria como uma Hiena.






Leandro Karnal e Santo Agostinho.

Santo Agostinho (430 D.C) e Leandro Karnal (1963)


Como sabemos nós vivemos em função do Tempo e da distribuição do tempo que passa.

Vivemos reclamando especialmente nas grandes cidades de um tempo que nos excede e de uma quantidade de compromissos que ficam além da nossa capacidade de cumpri-los, vivemos correndo e mesmo assim muitas pessoas se atrasam, muitos compromissos não são cumpridos ou não se realizam.

Talvez muitos não entendam que o tempo é uma Commodities,

O tempo é a matéria prima mais importante da vida e parece que vai além da nossa capacidade de controle, como se escapa-se por entre as mãos, mas se você não parar para pensar você não descobrirá que o tempo pode ser mais controlado e sentido, talvez você possa parar de perder esse tempo, e ai sim talvez você descubra que deva sim de alguma forma administrar o seu tempo dentro do previsto para você e vai conseguir impor a esse tempo uma logica racional bem maior.

Existem duas concepções de tempo na história entre outras:

Uma é aquela que Santo Agostinho disse que o tempo é um Don de Deus, que deve ser fruído, ou seja, correr e deve ser fluido, ou seja, aproveitado. Logo o tempo não deve ser medido e alugado, o tempo não deve ser transformado em mercadoria.

Esse é o tempo da natureza esse é o tempo Don de Deus Agostiniano.

Existe uma noção que é a do tempo do mercador, medida por relógio medido por todos os recursos para torna-lo eficaz esse é o tempo do Mercador.

Disso podemos concluir que quanto mais eu tenho esse tempo do mercador, mais eficaz e estressada minha vida fica, quanto mais eu tenho o tempo Don de Deus mais fruída e fluida também fica a vida, é uma opção controlar ou ser controlado pelo tempo.


Uma Fábula de Terror

Como em todas as manhas ainda bem cedo Carragildo acordou com o toque de levantar, o Sol ainda não havia surgido e a alvorada se lentamente se erguia.

Mal tinha se recomposto da noite e já ouvia o 3º Sargento Formigão aos gritos de campanha:

- Vamos, vamos todos em Ordem.
- Chequem suas missões.
- Mantenham a fila.
- Rastreadores e Infantaria na frente.
- Isto não é uma festa!!!
- É uma batalha pela sobrevivência.

Carragildo se contorcia na fila indiana tentando se manter na trilha, o calor e as dificuldades do caminho naquela manha pareciam piores que em qualquer outro dia.

Após uma hora de caminhada uma parada estratégica direcionada pelo General de 4 estrelas Garrasta-Azul, 12 vezes condecorado por nunca perder mais de 10.000 combatentes em suas incursões de mudança de ninho.

Realmente Garrasta-Azul tinha experiência ele era responsável pela segurança de uma comunidade de 2 milhões de térmitas e de quebra as escondidas pegava a 

Rainha Da-dela só que todo mundo sabia.

Opa fim da parada Carragildo logo pensou:  

Acabou meu sossego, tô com fome, tô com cede, quero dormir!!!

Era Eusocialidade demais.

Trabalho demais.

Hierarquia demais.

E nunca se sabia como tudo terminaria?

Poderia não terminar aquela incursão.

Se perder no Caminho.

Ou pior virar alimento de algum outro inseto ou ave sabe lá.

De qualquer forma era bom ficar perto Infantaria se alguém tiver que entrar pelo cano primeiro ou cair em um emboscada vai ser Infantaria.

Infantaria é linha de frente os caras são grande não tem juízo e com certeza viram refeição primeiro e enquanto isso é só dar o fora.

Carragildo caminhou a manha toda e metade da tarde e como previsto foram atacados 3 vezes e  enquanto os nossos valentes infantes se sacrificavam a marcha prosseguia montanha acima nesta altura já estava claro que estavam indo para local mais alto devido a proximidade das chuvas do fim do trimestre.

Após a travessia de um banco rochoso Carragildo chegara a um local que considerou horrível escuro sem fendas muito seco tão seco que já não suava.

Encostado em um canto mal podia se mexer porem devido ao brilho suave da composição da rocha de Feldspato viu seu reflexo pela primeira vez e percebeu que não tinha pernas nem braços e dormiu.

Ao acordar na manha seguinte despertou aos cuidados das formigas: Lindela, Misbela, Florbela, Mãedela, Gostodela e Belezadela.

O grande banco rochoso havia se reconfigurado majestosamente uma fortaleza inexpugnável e tudo era novo e estava no lugar.

As Construtoras, os Engenheiras, as Arquitetas e a turminha do vamo que vamos transformaram aquele local durante a noite em uma Cidadela. 

Carragildo tinha um leito novo, estava limpinho, tinham até alimentado ele durante a noite, não sentirá frio e agora também não estava sentindo calor.

E dava graças a Deus por ter terminado aquela travessia exaustiva e temerária.

Podia agora voltar a sua vida normal como hospede, uma LARVA em meio aquela colônia.

Um VERME parasitário sendo alimentado naquele formigueiro.

Carragildo se alimentava e fornecia as sua fezes e o seu suor para alimentar as formigas.

E quando não fosse mais capaz de fazer isso terminaria como belo banquete.

Que sorte a do Carragildo.

Moral da História?

Você na realidade pode até não ser um General de 4 Estrelas ou uma Rainha.

Mas no caso do Carragildo o Sonho dele era ser Verme.

Qual o seu Sonho?




Essa não é para Todos!

Aos meus amigos vamos brincar um pouco!

O que MMMM não é!


*_Se não me falha a memória li em algum lugar que o filósofo Tomás de Aquino investiu muito tempo em sua Suma Teológica Sobre o Direito tanto que os seus pensamentos seguiam os de seus antecessores como Cícero e de Aristóteles._*

E desta forma ele tentou separar o Direito Natural do Direito Positivista ou Normativista!

Ou seja aquele que todos somos obrigados a cumprir independente de que somos e que regularia todas as questões ligadas ao que compreendemos de natureza intrínseca do homem, da propriedade, das relações, do gênero e tudo o mais que pudesse ser regulado e transformado em Lei!

*É claro que ele fracassou ainda em sua época.*

Por outro lado essa regulação positivista é o que hoje regula o mundo hoje.

*_Vejamos só o mundo industrial!_*

Regulamos processos, normatizamos materiais e sistemas, definimos regras de monitoração, de apresentação e de resposta, estabelecemos limites e pontos de controle e até definimos o que é...

*_E o que não pode ser!_*
*MMMM por exemplo o que não é ou não pode ser?*
1
   1 Não é um salvo conduto para entrar em território estrangeiro.
   
   2 Também não é um protocolo de boas intensões.

       3 Não significa que podemos fazer Merda.
  
    4 Ou muito menos ainda que: se o fizermos, merda, não responderemos por isso.

   5 MMMM ainda não é capaz de dizer que todos estamos envolvidos pelo menos os que assinaram.
  
   6 Não abrilhanta um estudo ou analise Engenherada!

   7 Não aponta o salvador ou o pecador.

   8 Não dispensa comunicação horizontal e vertical entre para e lideranças.

    9 E não por ultimo, mas findando não significa que estamos blindados.

É Aquino ainda em Roma ele entendeu que existia um “direito natural”.

Como aquele que damos a algumas pessoas *Veneráveis ou Agraciadas*.

*E ainda percebeu através de uma dialética convidativa e com extrema empatia que era capaz de conduzir homens não mais por normas, que são sim necessárias, mas por uma outra Lei.*

Que Ele, Aquino, diz que há e está escrita no coração do homem
que é capaz de transformar o _Antagonista em Colaborador_
_e o Inimigo em Amigo_

e o que mais me surpreende transformar o _indiferente e diferente._

*É!!! hoje estive em território estrangeiro.*

*Quase levei um tiro. (eufemismo)*

Me fiz um com eles mas não um deles.

Comi com eles bebi, e?

Ganhei um passe livre

E no Final me pediram para voltar

Para fazer tudo de novo.

*É isso que MMMM não é!!!*


*Construindo Cavernas.*

_É claro que a Paideia, isso mesmo paideia, dos dias atuais quer nos fazer acreditar que podemos simplesmente abandonar não tudo mas o todo de todos os sistemas atuais existentes que vão da educação passam pela musica e chegam administração e gerenciamento do ser humano e toda a ladainha de outras denominações que conhecemos para a formação do Cidadão Perfeito e Consequentemente do Trabalhador Perfeito._
Ou seja, um homem capaz de liderar e ser liderado esse é o que chamamos pensamento positivo.
Por outro lado se esquece nesta metanoia o essencial do pensamento: *a transformação do espirito!!!!*
*E se não for verdade não é bom nem acabar de ler....só vai causar dor aos nossos olhos.*
É existe uma outra ordem que não é transitória.
Talvez até que não entregue lucros e estatísticas favoráveis por que nela todos ganham.
Ou se preferirmos dizer essa já existente frase literária: Não há perdedores.
Como disse Doratioto:  “Sair da caverna não quer dizer encontrar a felicidade, ser recebido com júbilo pelo mundo, ser compreendido.”
E acabamos criando outras cavernas.
Para voltar ao controle do que não deveria ser controlado como:
À liberdade do pensamento
A possibilidade viver o erro
O fracasso
As incertezas
A necessidade de ajuda
Do confronto
A procura do Mestre
Quando negamos essas possibilidades ou a impedimos destruímos a criatividade que essencialmente nasce nesta humanidade no limiar das dificuldades e das grandes questões.
Aprendi que o seu amigo não é quem te controla e conduz por um caminho sem macula e seguro.
*Fugir a essas possibilidades é Reeditar uma nova Caverna.*



Felicidade

Tirei a noite para estudar um pouco de filosofia!

E abasteci-me de Felicidade, tomei um banho, felicidade de novo,
Mais pouco... um pouco mais e mais pouquinho e deliberadamente Estou Feliz.

Alias Eu acordei muito Feliz e por uma decisão egoísta de minha parte claro
Resolvi estar Feliz e Contente.

Talvez seja capricho ou vaidade!
Mas eu realmente não sei.

O Fiz é a seguinte reflexão de e um estudo do meu “eumetal” após palestra do Karnal:

No passado os trabalhos eram mais penosos!
E mesmo assim havia menos Estresse.

Porque todos os hormônios e estimulantes se perdiam na atividade física.

E hoje o trabalho é muito estressante mentalmente
O que multiplica as doenças mentais muito facilmente
logo estamos submetidos a uma pressão muito grande

tanto que o único *suicídio ético* do nosso tempo é:

*Estou me Matando de Tanto Trabalhar*

E o mais interessante é que é *algo até desejável!*

Pelo menos para as Sogras não é?
Elas agradecem por nossa esposa!!!!

Por outra lado se admitimos que o *MEU TRABALHO É UM INFERNO*

Acabo assumindo que a vida é um INFERNO.

E então temos um imenso problema a resolver.

Eu diria que *aprendi à alguns anos* a viver plenamente.

_*O momento em que estou.*_

Eu me *insiro perfeitamente* em todas as situações que *sou Exigido*

Não como um *coadjuvante*, mas como *Ator*.

_E vejo em vocês Colegas Grandes Atores._

E só me *libertarei deste circulo após a morte!*

_Então onde eu estou EU ESTOU._

*Então o maior presente que eu posso dar a uma pessoa É estar com essa pessoa.*

Obrigado Moreira
Obrigado Dias
Obrigado mestre Carlos
Obrigado Aryanna.
Muito obrigado José.
Obrigado mesmo Henrique.
Obrigado Tateishi.
Obrigado Helião.
Obrigado Karina.
Obrigado Chefe Villaça.

*Simplesmente _Obrigado Eu estou com vocês_!!!*



Adaptação do texto de Martha Medeiros 
A morte devagar
Estudo da Finitude da Vida.


Hoje acordei bem cedo e resolvi fazer uma caminhada bem urbana ou se preferirem: “um belo programa de índio”. Nada de preparação e organização somente um aviso prévio para não fugir as responsabilidades vai aviso: _Sairei para caminhar e devo chegar somente ao entardecer.

 Havia muito tempo que não caminhava, seria uma excelente oportunidade de me exercitar e passar por alguns lugares já conhecidos sem a pressa e o costume usual que marcam o ordinário cotidiano de todos os dias e dos últimos anos para mim.

Queria viver e sentir novas impressões da paisagem, dos lugares e das pessoas. Vesti um agasalho leve que nada curioso e calcei um tênis bem confortável, foi quando me lembrei de uma mochila a muito esquecida em um canto do guarda roupas, abasteci a mesma com uma garrafa de agua, uns poucos documentos e alguns trocados caso fica-se com fome.

Sim. Eu quero ser um transeunte a passar despercebido na multidão, quero passar pelas calçadas, parar antes aos sinais vermelhos e esperar dos sinal verde, dar preferencia para o ciclista apressado, olhar para os dois lados da rua antes de atravessar, levar umas bolsadas ainda na calçada das senhoras com seus filhos ao colo ou presos solicitamente as mãos de suas mães ou ainda fragar os despercebidos que saem das lojas e os que estacionam na calçadas atrapalhando o fluxo, bem é ou não um programa de Tolo?

Então plano é...?
Não ter plano deixar rolar.

Não sei onde nem quando li isso:

Morre lentamente quem não troca de ideias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.

Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado.

Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário.

É bem verdade que muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema.

Mas é bem verdade também que muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is.
Há um turbilhão de emoções indomáveis onde há a descoberta e que justamente resgatam: o brilho nos olhos, sorrisos e soluços, colocam um coração aos tropeços, criam novos sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.

Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante.

Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.

Obrigado Dona Martha M.